Jun 29 2007
Estivador é acusado de abuso sexual.
Um caso de estupros e gravidez comoveu policiais da Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dceca) e revoltou moradores do Parque Curió, em Messejana. Um estivador é acusado de violentar duas enteadas, uma de 10 anos e a outra de 11 anos. A mais velha está grávida de seis meses. O crime foi denunciado pela própria família das meninas, em maio deste ano, depois que a gravidez foi descoberta. As duas enteadas então apontaram o padrasto como o autor dos estupros.
Segundo o depoimento das vítimas, o estivador teria começado a assediá-las sexualmente pouco depois da morte da mãe, em outubro do ano passado. Em depoimento na última terça-feira, o acusado negou os crimes. O processo foi remetido ontem à Justiça, mas somente hoje chega às mãos da titular da 2ª Vara Criminal, juíza Edna da Mata. De acordo com a delegada da Dceca, Ivana Timbó, a prisão preventiva do acusado poderá ser decretada em breve.
Familiares contam que logo após a morte da mãe, as meninas foram morar com a avó. O padrasto então passou a sair com as enteadas sob o pretexto de comprar roupas e calçados para elas. De acordo com o depoimento das meninas, antes das compras, o padrasto as levava para a sua residência e abusava delas sexualmente. Normalmente, o “passeio” era feito com uma menina de cada vez. O estupro da menina de 10 anos foi confirmado pelo exame do Instituto Médico Legal (IML). Uma outra irmã, de sete anos, também foi submetida a exame, mas o resultado deu negativo. Segundo a Dceca, as meninas estariam recebendo acompanhamento psicológico.
Em depoimento na Dceca, o padrasto das meninas se dispôs a realizar o exame de DNA, como forma de provar que não seria o pai da criança que a enteada de 11 anos espera. Ele negou ter violentado sexualmente as enteadas e as ameaçado. Mesmo assim, a delegada Ivana Timbó indiciou o acusado, mas ele não foi preso.
Em contato com O POVO, o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca) observou que as meninas poderiam estar correndo risco, diante do conhecimento do endereço da moradia das enteadas, por parte do padrasto. A delegada Ivana Timbó informou ao O POVO, que qualquer pedido de proteção deve ser de iniciativa da família. Um dos programas de proteção às crianças vítimas de violência sexual é o projeto Sentinela, já implementado em 10 municípios do Estado.
