Jul 27 2007
Denunciei meu filho à polícia

Moramos no Japão há muito tempo. Tenho um filho de 25 anos que veio para cá desde os quatorze anos. Em fevereiro deste ano, ele me ligou pedindo ajuda. Quando cheguei ao apartamento dele, me choquei com a cena: ele segurava o coração como se estivesse saltando do corpo. Perguntei: o que estava acontecendo? Ele mal conseguia responder. Só dizia que era um negócio que ele havia tomado.
Então, o levei ao hospital e foram feitos exames (do coração/eletro) e estava tudo bem… Mas, ele me disse a palavra drogas e não me contive. Ele tinha dito que era a primeira vez, mas fui à polícia fazer uma denúncia. Queria saber até que ponto aquilo era real e quem era os responsáveis. Afinal, se fosse realmente a primeira vez era bom parar por ali. Meu filho se apresentou à delegacia, espontaneamente, junto comigo. Resultado: depois de feitos, os exames detectaram o uso da droga mais pesada: cristal. Ele foi preso assim que chegou o resultado do exame.
Naquela época, após a denúncia, descobri que meu filho adquiriu a droga pedindo a um primo dele e quem o ensinou a usá-la foi um amigo desse primo, que tinha acabado de sair da prisão e estava morando com meu sobrinho e minha cunhada. Meu filho não tinha contato com as drogas e tão pouco com esse primo. Eles se encontraram apenas em três ocasiões.
Meu filho admitiu para polícia que sentiu interesse em se drogar ao ouvir do primo comentários sobre drogas - que supostamente apenas as vendia - porque estava
Meu filho foi julgado e será deportado do Japão. Entrei com recurso, alegando que ele não tem família no Brasil. Caso ele seja deportado, nunca mais poderá voltar para Japão. Ele nunca teve problemas com a Justiça. Pelo contrário, foi um filho exemplar e, nos últimos dois anos, me ajudava muito com minhas dívidas. O que fazer agora? Meu filho sequer foi ouvido pelo promotor. Eu acreditava que estava fazendo o correto. Hoje sinto um grande remorso, pois vejo que ele vem sendo tratado como animal.
Chego a conclusão que não vale a pena lutar por um mundo melhor. Ou sou eu quem não faz parte deste mundo moderno. A cena que vi aquele dia não foi apenas do meu filho, mas de tantas outras pessoas que assim como ele passou pelas drogas. Denunciei meu filho, pensando na sociedade. Mas todos me criticam: conhecidos e parentes. Ele saiu após 40 dias de detenção concedida pelo juiz após a fiança por ser primário.
Ele não me perdoa. Mas, mesmo sem o perdão dele, o que me importa é que ele se mantenha no bom caminho, mesmo que seja em outro país. Se esse episódio deixá-lo longe das drogas, sem fazer mal à sociedade ou a ele próprio, valerá todo o sofrimento que sinto agora, minuto a minuto, nesses longos cinco meses.

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