Aug 27 2007
Suprema Corte investigará violações aos direitos humanos em Oaxaca
A Suprema Corte de Justiça do México criou hoje uma comissão para investigar violações aos direitos humanos em Oaxaca, denunciadas pela Anistia Internacional e outras entidades, e negadas pelo governo local da província sulista.
O plenário da Suprema Corte designou os juízes Roberto Lara e Manuel Baráibar para investigar as violações denunciadas durante o conflito, que começou há mais de um ano e vitimou ao menos 13 pessoas.
O conflito começou em 2006, quando o governador local, Ulisses Ruiz, ordenou a repressão de professores que bloqueavam ruas reivindicando aumento salarial.
A ação provocou a disseminação dos protestos, envolvendo dezenas de organizações, que passaram a pedir a renúncia de Ruiz, acusado ainda de corrupção.
A repressão aos manifestantes, levada a cabo não só pelas polícias local e federal, mas também por grupos armados - que seriam ligados a Ruiz -, causou ao menos 13 mortes.
A Suprema Corte também investiga o governador de Puebla, Mario Marín, acusado de violar os direitos da jornalista Lydia Cacho, que foi presa ilegalmente depois de publicar um livro denunciando uma rede de pedofilia.
A jornalista Lydia Cacho Ribero, coordenadora do Centro Integral de Atenção à Mulher de Cancum (CIAM), foi detida em 16 de dezembro de 2005, sem ter sido notificada sobre sua orden de detenção, pelo delito de difamação contra o empresário Kamel Nacif Borge. A jornalista só foi liberada em 18 de dezembro de 2005, após ter pagado uma fiança.
Lydia Cacho é autora do livro Los Demonios del Edén (Os Demônios do Éden), que vincula poderosos empresários a uma quadrilha de pedofilia e pornografia infantil. Nacif tinha sido citado em depoimentos de vítimas como um dos participantes das festas promovidas por um empresário atualmente detido por delitos relacionados à pornografia e prostituição infantil. Uma série de irregularidades e abusos na detenção têm sido denunciados.
A organização humanitária Anistia Internacional, ganhadora do Nobel da Paz, acusou o governo de Ruiz, do Partido Revolucionário Institucional (PRI, opositor em nível federal) de ter cometido “abusos, maus tratos e torturas” contra os integrantes da Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca.
Fonte: http://www.ansa.it/ansalatinabr/notizie/notiziari/mexico/20070827173534413816.html
