Sep 15 2007
Prêmio “Álcool e Consumo Consciente”: Para conselheiro do CONAR, propagandas de bebidas alcoólicas devem sofrer ‘restrições’

Propagandas de bebidas alcoólicas devem sofrer “restrições.” A opinião é de Carlos Chiesa, publicitário e conselheiro do Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária (CONAR). “Não se deve eliminar a propaganda [de bebidas alcoólicas]. É um remédio errado. O remédio é você aplicar restrições”, avaliou Carlos Chiesa, na noite desta sexta-feira (14/09), durante debate intitulado “Álcool e Mídia”.
“O ministro [da Saúde] é médico e não publicitário”, provocou Chiesa, referindo-se ao fato de José Gomes Temporão defender a necessidade de restrições à propaganda de bebidas alcoólicas, a exemplo do que já foi feito com a indústria tabagista. O debate, que aconteceu na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), é uma iniciativa do Instituto Cultural Barong e integra a programação do “Prêmio Álcool e Consumo Consciente – Concurso de Criação de Propagandas Socialmente Responsáveis.” O objetivo da empreitada é fazer com que universitários das áreas de Publicidade e Propaganda e Design Gráfico reflitam sobre o consumo de álcool por jovens, criando nos futuros profissionais uma cultura de responsabilidade social dentro da sua área de atuação (saiba mais).
Marta McBritton, presidente do Barong, lembrou aos presentes que a idéia de criar o concurso ganhou força no ano passado, quando a organização que ela comanda fez uma pesquisa na qual ficou clara a relação entre consumo abusivo de álcool e aumento da vulnerabilidade a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. Em 2006, o Barong entrevistou 834 indivíduos no Guarujá, cidade localizada no litoral de São Paulo. Do total, 430 eram homens e 404 mulheres. Entre os jovens que beberam e na mesma noite mantiveram relações sexuais, 64% admitiram não ter usado camisinha. O restante, 37%, disseram ter usado o preservativo. No caso dos jovens que não beberam, os números se inverteram: 63% utilizaram camisinha no momento do sexo, enquanto os 37% restantes disseram não ter usado qualquer tipo de proteção.“A propaganda não existe para fazer as pessoas consumirem mais, mas para elas diferenciarem uma marca da outra”, avaliou o publicitário Carlos Chiesa. Ele ressaltou, entretanto, que o CONAR “ é sensível à opinião pública.” “O que nós queremos debater aqui são políticas públicas”, explicou Luana Bonome, diretora de comunicação da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Léo Nogueira
O QUE A PROPAGANDA NÃO MOSTRA
Fonte: http://www.agenciaaids.com.br/noticias-resultado.asp?Codigo=8335
