Oct 21 2007
Lei Seca em casa
O debate em torno da proibição do comércio de bebidas alcoólicas após as 22h nos dias normais e após às 24h nos finais de semana acendeu a luz de alerta para um fato que, apesar de não ser tão novo assim, não vem recebendo a devida atenção das famílias brasileiras: o consumo de bebida alcoólica dentro de casa, sob a tutela dos pais e com total liberdade está começando cada vez mais cedo.
Seduzidos pelas armadilhas dos tempos modernos, muitos pais estão permitindo que os filhos bebam socialmente (?), como se fosse possível para um garoto ou garota de 14, 15, 16 ou 17 anos mensurar a quantidade de álcool que deve ser ingerida dentro do limite estabelecido como socialmente. Aliás, será que os pais sabem o que significa beber com moderação?
Levantamento da Associação Brasileira de Estudos sobre Álcool e outras Drogas aponta que o limite é o equivalente a uma lata de cerveja, um copo de vinho tinto e uma dose de uísque, mesmo assim é preciso lembrar que o primeiro gole pode abrir as portas para o alcoolismo juvenil.
Os pais precisam assumir a responsabilidade perante os filhos, sobretudo os menores de idade, impondo limites que possam retardar o máximo possível o contato inicial destes jovens com as bebidas alcoólicas, mesmo porque a cervejinha é o primeiro passo para chegar ao consumo de drogas ilícitas como a maconha, ecstasy, cocaína e crack, para ficar apenas nestes quatro exemplos. Portanto, o debate sobre a necessidade de fechamento dos bares, lanchonetes, restaurantes, boates e similares para reduzir o consumo de bebidas alcoólicas deveria mudar o foco para discutir principalmente as transformações que ocorreram na sociedade brasileira. Achar que o simples fechamento dos estabelecimentos comerciais pode acabar com o alcoolismo juvenil e, conseqüentemente, com os acidentes que são provocados pelos motoristas embriagados é o mesmo que defender o fechamento dos lares brasileiros já que mais de 55% dos jovens começam a beber ainda no seio da família.
Outro número alarmante: 58% dos homens jovens e 71% das mulheres jovens consomem bebida em casa, de forma que a pesquisa da Associação Brasileira de Estudos sobre Álcool e outras Drogas apontou que o lar está no topo da lista dos locais onde a maioria dos jovens faz o primeiro contato com as bebidas e, mais preocupante, onde continuam consumindo álcool durante a adolescência e vida adulta.
A questão é grave e merece atenção redobrada dos pais, autoridades, educadores e responsáveis. Tudo isto indica que as autoridades e educadores precisam desenvolver, cada vez mais cedo, campanhas capazes de alertar as crianças para o fato que álcool é droga e que a cerveja pode ser o primeiro passo para chegar ao fundo do poço.
Uma pesquisa do Ministério da Saúde aponta que 30% das crianças com idade entre 10 e 12 anos já consumiram algum tipo de bebida alcoólica; entre 13 e 15 anos este índice sobe para 52,6%; saltando para 66,4% entre os estudantes com idade entre 16 e 18 anos e chegando a impressionantes 70% nos jovens com 19 anos de idade.
Os pais ou responsáveis precisam acordar rapidamente para uma realidade: todo jovem que se entrega cedo ao vício do álcool é um candidato em potencial a perder a vida em acidente automobilístico, mesmo porque os jovens são os que mais abusam do álcool e os que mais morrem em virtude da mistura de bebida e volante. O álcool está presente em 50% das mortes de jovens ocorridas em acidentes de trânsito e outros cenários de violência urbana. Mais de 95% das internações decorrentes do consumo excessivo de álcool envolvem jovens com idade entre 14 e 29 anos e, mais grave, numa nação com 180 milhões de habitantes, 10% das pessoas sofrem com a dependência do álcool e outros 20% consomem álcool com freqüência. Como se não bastasse este quadro tão negativo, estudos apontam que o álcool reduz em 16% o tempo de vida das pessoas, ou seja, quem bebe está morrendo aos poucos, mas infelizmente, no meio do caminho ainda pode provocar a morte de inocentes que nada têm a ver com seus problemas.
Nem toda vítima de motorista embriagado, morre no acidente
Fonte: http://www.progresso.com.br/not_view.php?not_id=32430

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