A Polícia Civil vai investigar as acusações feitas por quatro garotas menores de idade de que, teriam sofrido abuso sexual praticado por um comerciante de 52 anos, morador de Bauru. Os familiares das meninas estiveram ontem no Plantão Policial para fazer a denúncia. As quatro meninas, de 9, 12, 13 e 15 anos, foram ouvidas pelo delegado plantonista Ronaldo Divino, acompanhadas pelos pais.
De acordo com os pais das supostas vítimas - cujos nomes não serão revelados para evitar constrangimentos, já que as investigações ainda estão em andamento, e em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)-, o acusado fazia ameaças às garotas, inclusive contra os pais delas, para obrigá-las a fazer sexo com ele.
“Eu cheguei em casa ontem e minha esposa estava quase chorando porque estava com medo de me falar o que aconteceu. Eu pedi para ela contar. Ela falou que este homem ficava seduzindo as crianças para entrar na caminhonete dele e levar para um motel”, diz o pai de uma delas.
Uma das menores, de 15 anos, trabalhava com o comerciante há cerca de dois anos. Segundo relatou à reportagem, ela seria obrigada a fazer o que ele pedia sob ameaças. “Se eu não fosse, ele falava que faria um inferno na minha vida”, diz a menor.
Conversa
O pai de uma das vítimas, que trabalha como segurança, explica que assim que soube do caso foi até a residência do acusado e conversou com a esposa dele. “Nós conseguimos localizar a casa dele. Minha filha reconheceu ele. Conversamos com a esposa dele para ela estar ciente do que estava acontecendo, e pedimos para ela nos acompanhar até a casa das outras crianças”, detalha.
O acusado negou à reportagem ter cometido as acusações da qual é alvo. “Não são verdadeiras (as acusações)”, diz. “A menina estava me ajudando, porque eu tenho uma empresa”, completa.
Ele atribui as acusações ao fato dele ter negado um suposto pedido de aumento para a funcionária, e afirma ter recebido ameaças por telefone. “De um mês para cá eu estou recebendo telefonemas de ameaças”, diz.
O delegado Divino explicou à reportagem que o boletim de ocorrência seria encaminhado para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Ele informou ainda que, segundo as informações iniciais obtidas, o acusado teria mantido, por algumas vezes, contato sexual com as garotas mediante pagamento de R$ 10,00 a R$ 15,00.
Segundo o delegado, não foi questionado se as menores têm algum grau de parentesco. Ontem, as garotas fariam exame de corpo delito no Instituto Médico Legal (IML) de Bauru.
O conselheiro tutelar Otávio Rodrigues Costa afirmou à reportagem que acompanhará o caso no intuito de impedir o contato das garotas com o acusado, além de oferecer apoio psicológico e abrigo.
Fonte: http://www.jcnet.com.br/editorias/detalhe_policia.php?codigo=120809