Jan 20 2008

Crianças “adultalizadas”

Publicado por Tandai às 12:20 am sobre Artigos, Orientação

Brasil Contra a Pedofilia erotização precoce

por Mônica Seda 

Crianças são crianças e seu tempo de serem adultas chegará, inexoravelmente, ou, se por algum motivo inerente a essa passagem do tempo existir, isto poderá deixar de acontecer. O tempo de ser criança é único e deve ser aproveitado em toda a sua totalidade. Mas, vejo com freqüência que as crianças estão deixando de ser crianças para se tornarem adultas, precocemente, pela influência da mídia que impõe certos modismos e da anuência dos pais, principalmente, das mães que estimulam a “adultalização” antes do tempo necessário.

É comum ver meninas de 8, 9, 10 e até de 11 anos estarem vestidas de “mulherzinhas”. Isso se torna um fator preocupante para o desenvolvimento psico-social e emocional das crianças que queimam as etapas de desenvolvimento. Essas crianças se comportam de maneira diferente, têm amizades mais adultas, ou seja, de outra faixa etária que a sua e acabam deixando de cumprir as etapas anteriores de vivência existencial para serem adultos velhos.Tudo isso, acarreta na subtração da infância, uma etapa de existência maravilhosa, pura, na qual a ingenuidade e a espontaneidade são características dessa idade.

Ser criança é ver o mundo com olhos de criança, sem a maturidade imposta por grandes responsabilidades e por grandes desafios que um adulto tem de ter ao longo de sua vida. Os lugares públicos, como os shoppings ou em festas de crianças, o que vejo são caras e bocas pintadas e roupas sensuais. Quem permite que essas crianças saiam de casa vestidas assim, senão seus próprios pais?

A questão de determinados limites é também de fundamental importância na escolha das roupas e na escolha das amizades. Nos shoppings, principalmente, vejo crianças em grupo sem nenhum adulto por perto. Os pais as deixam lá e elas que se virem. Criam nelas responsabilidades para as quais ainda não estão preparadas. Chega até ser ridículo ver uma menina de 9 ou 10 anos com trejeitos sensuais porque suas roupas denotam uma sensualidade e um erotismo explícito, que não deveria, em hipótese alguma, acontecer.

E, mesmo que o apelo da mídia seja grande, com seus modelos pré-concebidos e, muita das vezes erotizado, cumpre aos pais determinarem o que é bom ou não para suas crianças. O fato é que, tornar-se adulto antes do tempo, não permite às crianças estabelecer certos conceitos próprios de sua idade. Perde-se a ingenuidade e se ganha a sabedoria que é, na maioria das vezes, deturpada de critérios e valores éticos. Perde-se a espontaneidade e se ganha a máscara social que muitos adultos usam para viver na sociedade, o que é péssimo para o desenvolvimento afetivo da criança.

Com a “adultalização” precoce dessas crianças e a supressão da infância, as fases de pré-puberdade e a própria puberdade também são extintas. O pior é o que acontece com a fase adulta. Nessa fase, muitos terão dificuldades em se encontrar, pois se cobrarão mais, inclusive não sabendo lidar com as situações da vida, já que as fases deixadas lá atrás foram puladas de uma maneira absurdamente inaceitável. Uns, por terem queimado essas fases, se tornam adultos depressivos, extremamente problemáticos e difíceis de lidar.

Criança tem de ser criança, tem de brincar de brincadeira de criança, tem que se vestir como criança, tem que agir como criança, esperando o tempo certo de ser adulto e, quando for adulto, lembrar dos bons momentos em que foi criança, época que é muito rápida e que só acontece uma vez na vida da gente.

1 comentário to “Crianças “adultalizadas””

  1. […] Crianças “adultalizadas”. […]

Trackback URI | Comments RSS

Deixe um comentário