Feb 11 2008
Faixa registra a contagem dos dias de desaparecimento de Dudu
Foto: Bruno Arce
O desaparecimento do menino de 10 anos, Luiz Eduardo Gonçalves, completa hoje 51 dias. Essa contagem progressiva já está registrada na faixa feita pelos moradores do Jardim das Hortênsias, região do Aero Rancho. Inconformados, eles protestaram pelas ruas do bairro, caminharam cerca de 1 quilômetros até a Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), que fica ao lado do Hospital Rosa Pedrossian.
De forma pacífica, acompanhado por um carro de som (kombi), o grupo formado por pelo menos 70 pessoas recebia apoio dos moradores e na chegada até a Depca tiveram como barreira apenas o mal estar com alguns funcionários do órgão público que funciona junto com os dois conselhos tutelares de Campo Grande.
O pai, vendedor de salgados, Roberto Gonçalves, de 60 anos, e a mãe de Dudu, a salgadeira Eliane Aparecida, de 32 anos, participaram da caminhada.
Para as crianças do bairro, o sumiço do Dudu deixou uma lição: há perigo nas ruas. “A gente não fica mais na rua até tarde. Tenho medo de gente a pé, ciclista, de gente de moto e de carro. Tudo aqui mudou muito depois que o Dudu desapareceu”, diz Valquiria da Silva, de 11 anos.
A mãe, Antônia da Silva, de 45 anos, acredita que o garoto ainda seja encontrado pela polícia. “Tenho muita fé em Deus que encontre o Dudu”.
A delegada Marli Kaiper, que assume o caso pelo fato do delegado Walmir dos Santos Messa estar em férias, recebeu parte do grupo.
Demora
Se por um lado, crianças, vizinhos, amigos e familiares reclamam da morosidade policial para encontrar uma solução ao caso - o presidente da Associação dos Moradores do Jardim das Hortências disse no carro de som que a pobreza da família seria o motivo da polícia ainda não ter solucionado o caso.

Por outro, a demanda na Depca não pára. Problemas de toda a ordem relacionados à criança e adolescente não param de chegar. Marli Kaiper lamenta o fato da polícia não ter conseguido uma solução para o Caso Dudu. Mas descarta que exista falta de estrutura e boa vontade na investigação e salienta que durante as buscas várias crianças que já estavam fora dos lares foram recolhidas e entregues a suas respectivas famílias.
“Os investigadores encontraram um menino muito parecido com Dudu, que também estava desaparecido. Recolhemos crianças de lares desestruturados que ficavam reunidos perto do Lago do Amor e no Conjunto União”, justifica a delegada.
Fé
A polícia ainda trabalha com a tese do desaparecimento. O inquérito não pôde ser instaurado porque é preciso mais subsídios. O menino desapareceu no dia 22 de dezembro. De férias, Dudu não via a hora de chegar o Natal, diz a mãe que hoje reza num altar improvisado no quarto da casa do pai, onde ele dormia.
“Seja qual for a sua religião, inclua o nome do Dudu em sua oração para que Deus dê conforto aos pais”, dizia durante a caminhada no carro de som o líder comunitário, presidente da Associação dos Moradores do Jardim das Hortênsias, José Arantes.
Poesia
A delegada diz que a agonia dos pais fazem parte do dia a dia da Depca. “A gente imagina o que eles sentem”, diz.
Uma poesia de Conceição Bernadino é uma homenagem as crianças desaparecidas. Ela reflete a saga diária do pai de Dudu, que não dorme e mal se alimenta e diuturnamente procura o garoto pelas ruas e terrenos baldios.
”Onde estás meu filho? Desde que te tiraram de mim, sinto o sangue do meu ventre gotejar nas lágrimas que já não consigo chorar. Todas as noites, abro a tua cama, com a esperança que te irei lá encontrar, quando amanhecer. Já se passaram anos e todos os dias espreito em cada cantinho o teu rosto, o teu sorriso, quando corrias para mim e volvíamos de alegria em abraços, afagos de amor. Onde estás meu filho? Que te fizeram? Já te confundo com as sombras, esculpidas nas paredes desertas onde me agarro no desalento de não te encontrar. Agarro-me à tua fotografia e pergunto a quem passa: - Este é o meu filho, digam-me por favor, alguém sabe quem o levou? Sinto-me a morrer aos poucos, levaram-me tudo o que eu tinha, a vida que gerei.
Malditos, malditos! Já me chamam de enlouquecida mas só descansarei quando te encontrar, não deixarei jamais de gritar pelo teu nome meu querido menino. Nunca deixarei de procurar!
O caso
No bairro onde mora o pai de Dudu morava com os três filhos pré-adolescentes, o clima de agonia à espera de respostas apontou um suspeito. José Aparecido Bispo da Silva, de 51 anos, ex-padrasto de Dudu. Com base nas falas de crianças colegas do filho, a família do garoto suspeitou de que Silva poderia ter matado o menino como vingança contra Maria Aparecida. Silva viveu 8 anos com Maria Aparecida.
No mês passado, o medo da reação dos moradores fez ele pedir a Polícia que quebrasse o piso da casa dele porque já não agüentava mais ouvir no bairro que sob a casa estava o corpo do menino. A suspeita veio porque logo após o desaparecimento da criança ele colocou piso no quarto dele.
O piso da casa dele foi quebrado no 26º dia do desaparecimento da criança e nada foi encontrado. Mas, a polícia não descarta nenhuma hipótese, de acordo com a delegada.
Silva disse que é inocente e que já não suportava mais ser julgado pela vizinhança.
A Polícia Civil informou que o menino teria sido visto na região de Mundo Novo, no Sul do Estado, próximo à ponte que liga Mato Grosso do Sul à cidade de Guairá (PR). A Depca chegou a dizer que toda a polícia do Paraná estava em alerta e com fotos do garoto. Porém o Midiamax buscou informação com a polícia paranaense e obteve a resposta de que nada sabia sobre o caso.
Fonte: http://www.midiamax.com/view.php?mat_id=314596

O menino da foto é Luiz Eduardo Martins Gonçalves, de 10 anos. Ele está desaparecido desde o dia 22 de dezembro de 2007. Foi visto pela última vez em Campo Grande-MS.
Características físicas: Dudu tem cerca de 1,40 metro de altura, pele morena, olhos castanhos e cabelos pretos. Segundo a mãe dele, o menino tem dificuldade para pronunciar a letra “R”. Ele é o caçula. São três irmãos adolescentes.
Atende pelo apelido de Dudu.
Qualquer informação sobre o paradeiro dele, por favor, entre em contato nos telefones: (67) 9201-4062 (pai Roberto Gonçalves), (67) 9263-4948 (líder comunitário José Arantes), Polícia Civil (67 -3318–8900), Midiamax 3324-0082, a Polícia Militar, pelo telefone 190, ou ainda, procurarem delegacias de plantão- Depac (67 - 3313.6100), Derf (67 -368-6600) ou Cepol (67 - 3318 9000).
Ou disque para o número 100, de qualquer lugar do Brasil. A ligação é gratuita e você não precisa se identificar.
ATENÇÃO! PRECISAMOS DE VOCÊ! ASSINE A PETIÇÃO, ENTRANDO NO LINK ABAIXO. MUITO OBRIGADA:

