Conseguir o primeiro emprego é difícil para muita gente e atinge diretamente os jovens. Isso porque a falta de experiência tornou-se um obstáculo. Para facilitar o processo de inserção de jovens no mercado surgiu o Programa Menor Aprendiz, que garante emprego e oferece cursos profissionalizantes em diversas áreas. Um benefício para os 5,1 milhões de adolescentes e jovens até 24 anos que procuram emprego em todo país, segundo pesquisa do IBGE de 2006.
O projeto, de âmbito nacional, é regulado pela Lei do Aprendizado (nº 10.097/00) e beneficia jovens de 14 a 24 anos incompletos. Mas, ao contrário do estágio, o aprendiz tem direito a um contrato de trabalho especial com carteira de trabalho assinada, férias (que devem coincidir com o recesso escolar) e 13º salário. O contrato é de dois anos e a carga horária não pode ultrapassar seis horas diárias para quem ainda não concluiu o ensino fundamental, e de oito horas para os demais.
Um ou dois dias da semana são destinados aos cursos presenciais, que podem ser realizados na instituição ou na empresa em que o jovem trabalha. Também são garantidos o salário mínimo proporcional ao número de horas trabalhadas e vale-transporte.
Algumas empresas também oferecem o tíquete-refeição. A única exigência é que o aluno comprove freqüência regular na escola ou em curso profissionalizante.
Realidade do DF
O DF tem muitos jovens que não conseguem se inserir no mercado. Dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), feita em 2005 pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostram que os jovens apresentaram, naquele ano, a maior participação no mercado.
É possível encontrar diversas empresas e instituições que participam do Programa Menor Aprendiz. Para participar, o jovem deve estar atento aos requisitos solicitados, já que algumas entidades priorizam o atendimento às pessoas carentes, caso do Centro Salesiano do Menor (CESAM).
“O projeto é muito bem visto devido à quantidade de adolescentes que trabalham com carteira assinada. A parceria com as empresas também é muito boa e sempre tem os nossos educadores acompanhando tanto no trabalho, rendimento e aprendizagem quanto na escola”, explica Claudinei Mascarelo (Padre Caio), diretor do CESAM-Brasília.
Critérios diferentes de seleção
A instituição recebe de 30 a 45 inscrições por dia e já chegou a encaminhar 100 jovens às empresas em um único mês. “O adolescente tem de entender que a lista de espera não é por ordem de ligação. Ele é chamado de acordo com as exigências da empresa”, ressalta Padre Caio.
Para participar, o jovem pode morar nas cidades do DF, mas a renda familiar deve ser de meio salário mínimo por pessoa. Hoje, são atendidos 1.400 adolescentes do DF.
Já o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE ) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) recebem alunos da rede pública e particular e não determinam limite de renda familiar. Oito mil aprendizes são beneficiados pelo CIEE, que oferece o maior banco de dados cadastrais do Brasil.
“Atualmente 90% dos jovens que já participaram do Programa Adolescente Aprendiz CIEE desenvolvem atividades profissionais nas mais diversas áreas, contribuindo assim para o crescimento econômico de nossa cidade e até mesmo de nosso país”, entusiasma-se Juliana Barbosa, responsável pedagógica do Programa do CIEE.
O Senac-DF, preparou, no ano passado, 945 adolescentes para o mercado de trabalho. Além da qualificação profissional, os alunos participaram de palestras sobre mercado de trabalho, gravidez na adolescência, doenças sexualmente transmissíveis (DST), drogas, e prevenção de acidentes, entre outros temas.
“A participação neste programa é apenas o início de um grande processo de estar atualizado com as demandas do mercado de trabalho. Por isso, o Senac-DF estará sempre pronto para atender aos jovens que buscam uma qualificação profissional”, diz o senador Adelmir Santana, presidente do Conselho Regional do Senac-Distrito Federal.
Arthur Ribeiro e Luanie Katarine Ferreira, ambos de 17 anos, são aprendizes do CIEE. Eles fazem o curso de capacitação teórico-profissional e trabalham, respectivamente, no UniCEUB e na Expresso Araçatuba. Para eles, a maior vantagem de entrar no mercado ainda jovem é a experiência profissional e pessoal. “Acaba conseguindo uma independência. Você aprende a administrar seu dinheiro, o tempo e conhece outras pessoas. A experiência também é importante. Na empresa tenho a oportunidade de ser contratada e quero que percebam meu esforço”, diz Luanie.
Outra vantagem é o amadurecimento dos jovens. Eles, normalmente, mudam a postura em casa e começam a se dedicar ainda mais aos estudos. “Você amadurece totalmente. O aprendizado é melhor e se aprende coisas que são usadas na empresa. Antes eu nem sabia o que queria fazer na faculdade e, agora, já me decidi. Não é só o dinheiro que interessa”, afirma Arthur. (Com a colaboração da estagiária Samila Magalhães)
Fonte: ComuniWeb