Mar 22 2008
Meninas que eram acorrentadas pela mãe fogem de abrigo para usar crack
As duas irmãs, de 12 e 14 anos, que viviam acorrentadas pela mãe para escapar do crack, fugiram do Centro de Referência da Criança e do Adolescente (Creca) de São Miguel Paulista, na zona leste, 20 minutos depois de preencherem a ficha de internação. Elas entraram no abrigo às 23h10 de quarta-feira, levadas por conselheiros tutelares, e às 23h30 pularam o muro para retornar às drogas.Segundo vizinhos, as meninas pegaram um ônibus e chegaram em casa, no Itaim Paulista, na zona leste, por volta das duas horas desta quinta-feira.
- Elas estavam sujas e drogadas. A mãe, quando as viu, entrou em desespero e ameaçou até se envenenar - conta Fábio Belo dos Santos, amigo da família.
Na quarta-feira, uma denúncia levou policiais da 5ª Seccional (Leste) a flagrar as meninas acorrentadas pelos pés, junto à cama. A mãe delas, Milene Cardoso Boaventura, de 30 anos, explicou que as correntes era um pedido das próprias filhas, que estão juradas de morte por bandidos da região. Um dos motivos é que vinham praticando pequenos furtos na casa de todos os vizinhos, para comprar crack.
O conselheiro tutelar José Joaquim de Abreu diz estar preocupado com a situação das meninas. Segundo ele, há pouco a se fazer por elas, por falta de estrutura do estado.
- Não existem vagas para internação em clínicas públicas para que elas façam tratamento contra as drogas. O abrigo também não é local para deixá-las, porque sua proposta não é tratar de dependentes químicos - lamenta Abreu.
O amigo da família Fábio dos Santos conta que as meninas já haviam decidido durante à tarde que não iriam ao abrigo, porque não gostam de lá.
- A mais velha contou que, assim que chegaram, um dos meninos da casa agarrou no pescoço dela e a rodou, enquanto outro xingava e puxava os cabelos da mais nova - diz.
A secretaria municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, responsável pelo abrigo, explica que o foco do local não é prender criança e adolescente, mas recuperá-los com propostas pedagógicas.
O delegado Marco Antonio Bernardino já pediu à Justiça a prisão temporária do ex-detento Marcelo Eduardo Fabiano da Silva, de 39 anos, acusado de fornecer droga às meninas. Marcelo havia saído da cadeia em agosto de 2006, em liberdade condicional.
Fonte: O Globo Online
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