Apr 03 2008
Archive for the 'Ceará' Category
Mar 28 2008
Irmãos são presos suspeitos de pedofilia no CE
Em Juazeiro do Norte (CE), dois irmãos foram presos sob a suspeita de pedofilia e estupro, na noite desta quinta-feira. Um deles tem 74 anos e o outro tem 65 anos. Segundo informações da polícia, eles estariam seduzindo crianças e adolescentes e levando as vítimas para uma chácara.
Eles foram presos quando estavam com três adolescentes, de 17, 14 e 11 anos. Uma das vítimas saiu correndo e chamou a atenção de vizinhos, que chamaram a polícia. No imóvel, a polícia encontrou fotos de menores sem roupa e praticando sexo. Os dois irmãos estão presos na cadeia da cidade.
Fonte: G1
Mar 13 2008
Curso viabiliza trabalho em bancos à jovens cearenses
Curso proporciona conhecer ambiente de trabalho e acesso a ferramentas que ajudarão no exercício profissional
Os jovens cearenses, com idade entre 14 e 24 anos, que têm interesse de atuar no setor bancário, podem contar com uma nova oportunidade de inserção no mercado de trabalho. Até a próxima segunda-feira (17 de março), a Fundação Cultural Oboé está recebendo inscrições para o Curso de Aprendizagem Bancária, que possibilitará o ingresso de pelo menos 60 novos profissionais no segmento. A capacitação, que faz parte do Programa Nacional de Jovem Aprendiz no Setor Bancário, resulta de cooperação técnica firmada entre a Fundação e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
De acordo com o coordenador do curso, professor Francisco de Assis Xavier, o objetivo da iniciativa é proporcionar conhecimentos teóricos e práticos para o desempenho das atividades bancárias. ´Além de conhecerem o ambiente de trabalho, esses jovens terão acesso a ferramentas que ajudarão no exercício da ocupação profissional. Durante duas horas por dia, de segunda a sexta-feira, eles assistirão a aula na Faculdade de Tecnologia e Negócios da Fundação Oboé. Nas quatro horas seguintes, os alunos terão atividades práticas nos próprios bancos´, observa.
A instituição pretende abrir duas turmas com pelo menos 30 alunos, cada, sendo que uma para a faixa etária de 14 anos a 17 anos e 11 meses. A outra turma reunirá estudantes com idade entre 18 e 24 anos. Durante o curso todos os alunos receberão uma bolsa mensal no valor de R$ 260,00, relativo às seis horas diárias de teoria e prática, além de vale-tansporte e vale-refeição. ´Serão dois anos de treinamento totalizando a carga horária de 1.100 h/a. Nesse período, eles cursarão 16 disciplinas, abordando temas específicos como noções de operações bancárias, atendimento, administração, informártica, marketing pessoal, entre outros assuntos´, diz o coordenador, que planeja intermediar a contratação dos alunos ao final do curso.
Segundo ele, cerca de 1.500 jovens já se inscreveram para participar da prova de seleção, no dia 6 de abril. ´No dia 2 de abril divulgaremos os locais das provas e no dia 11 sai o resultado´. O edital e a ficha de inscrição estão disponíveis no site (www.cabweb.com.br) do curso de aprendizagem bancária.
Programa
´O Programa Nacional de Jovem Aprendiz no Setor Bancário é decorrente da legislação CLT, que prevê a aprendizagem para o trabalhador menor, e tem base nas leis 10.097/2000 e 11180/2005, ambas regulamentadas pelo Decreto 5.598/2005, que obriga as empresas a contratarem 5% do quadro de pessoal por meio de entidades sem fins lucrativos´, destaca Xavier.
Mais informações:
Pelo fone (85) 3215-4100
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=519581
Mar 06 2008
Senado vai investigar com CPI pedofilia no Ceará
O Senado Federal instala na semana que vem uma CPI para investigar a pedofilia no País. Na mira, políticos que estariam envolvidos nesse tipo de crime. O anúncio da CPI da Pedofilia ocorreu hoje e foi feito pelo senador Magno Malta que deverá presidir a comissão de investigação. Magno Malta também comunicou que irá apurar o envolvimento de políticos brasileiros com a pedofilia. O Ceará é um dos estados na mira dessa comissão, pois há inclusive ex-prefeito que já responde por esse crime na Justiça estadual. Leia mais sobre esse assunto em matéria do Blog do Noblat:
Papo rápido com Magno Malta
CPI da Pedofilia investigará crime organizado
- Um dos principais objetivos da CPI que o senhor propôs é fazer com que o crime de abuso sexual contra crianças seja tipificado no Código Penal. O pedófilo hoje no Brasil fica impune?
- Hoje o cara fica livre. Pedofilia precisa ser encarada como crime hediondo que sujeite a pessoa a uma pena de 30 anos – não vou propor nada menor do que isso. Hoje a justiça que se faz contra um pedófilo é a justiça dos homens. Põe ele no presídio que o próprio bandido “passa o rodo” nele, responde o senador Magno Malta (PR-ES), autor do requerimento que criou a CPI da Pedofilia, que deve ser presidida por ele e instalada na semana que vem.
- A comissão também pretende associar a pedofilia ao crime organizado. Os parlamentares terão pulso para entrar nesse terreno?
- Terão que ter. Vamos pegar todo mundo. Há muitas redes internacionais infiltradas no Brasil para a prática da pedofilia e do tráfico de pessoas. Não acredito em qualquer investigação que não ponha os culpados em seu devido lugar. Na CPI do Narcotráfico [presidida, em 1999, por Magno Malta, na época deputado] coloquei 348 pessoas na cadeia. Fui eu quem prendi Fernandinho Beira-Mar.
- É possível combater a pedofilia na internet, um ambiente tão livre de controle externo e considerado “sem lei”?
- É difícil, mas não posso deixar violentarem as crianças por esse argumento. Não tenha dúvida de que será uma CPI corajosa. Tenho muito material. São coisas que não consigo nem encontrar um adjetivo para falar.
- Uma escola na Inglaterra, com medo da pedofilia, divulgou a foto de seus alunos com o rosto deles “borrados”. Isso é exagero?
- Não. É medo mesmo. Os caras são atrevidos. Eles mesmos fazem, filmam, divulgam…
- Durante a CPI o senhor certamente vai se deparar com o argumento de que o pedófilo é um doente, alguém que carrega algum trauma. Como lidar com esse discurso?
- É doente? Vamos tratar. Mas ele precisa pagar pelo o que fez.
Fonte: http://www.cearaagora.com/materias/pg_materias.php?cod=9577
Mar 01 2008
Sesi planeja programa de combate à exploração
Segundo Jair Meneguelli, a idéia do projeto surgiu de uma indignação
Segundo o Núcleo de Enfrentamento à Violência contra Crianças e Adolescentes, em 2006, foram denunciados 150 casos de exploração sexual infanto-juvenil. Em 2007, só até o mês de agosto, foram 166 casos denunciados. O número ainda não corresponde à realidade, pois nem sempre as pessoas denunciam e, quando o fazem, podem recorrer a outros órgãos. Os dados do Ceará não são compilados. Mas, diante do problema da exploração sexual de crianças e adolescentes, o presidente do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (Sesi), Jair Meneguelli, de Brasília, tem articulado em Fortaleza um programa de combate ao crime.
“A idéia surgiu de uma indignação”, destaca Meneguelli. Numa visita ao Ceará, ano passado, ele e a esposa presenciaram na praia uma cena de exploração sexual de um grupo de meninas. “Havia uma intermediária. Eu não posso me conformar com isso”, disse. O programa consistirá em assistir 100 jovens, de ambos os sexos, para oferecer cursos de profissionalização e, paralelamente a isso, ensino básico. Ele acrescenta que, enquanto estiver participando programa, cada jovem receberá uma bolsa de R$ 500. Por meio de parcerias, o programa trabalhará para inseri-lo no mercado de trabalho.
O programa ainda está sendo elaborado e as ações estão sendo definidas. Ainda não se sabe como esses jovens serão selecionados, mas, conforme Meneguelli explica, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) assumirá a capacitação e o Conselho Nacional do Sesi se responsabilizará pelas bolsas. As ações serão voltadas também para a família, ele diz. Na elaboração do Programa, os diversos órgãos ligados à área estão contribuindo, incluindo as esferas municipais, estaduais e federais. A intenção é que suas ações sejam iniciadas a partir de abril.
De acordo com Meneguelli, o projeto é piloto. Será iniciado em Fortaleza, depois em Recife, para, em seguida, ser expandido. Para o superintendente regional do Sesi, Francisco das Chagas Magalhães, o Programa vai considerar o contexto em que esse jovem está inserido e envolver toda a sociedade e os atores sociais. “É uma questão complexa. Precisa ser uma construção coletiva, para que as soluções sejam legitimadas. É preciso mexer com o imaginário desse público, que geralmente está conectado ao glamour”, ressaltou.
SERVIÇO:
Para denunciar casos de exploração sexual contra crianças e adolescentes, disque 100. A ligação é gratuita e você não precisa se identificar.
Fonte: O Povo
Feb 28 2008
Dignidade ameaçada

Ocupa o Ceará a sexta posição no País pelo maior número de denúncias de exploração sexual contra crianças e adolescentes, segundo levantamento da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. Foram encaminhados ao Disque 100, o serviço de atendimento telefônico do órgão, 1.056 casos no ano passado, o que representa crescimento de 149% em relação às 424 notificações de 2006.
Paralelamente, mapeamentos realizados em 2007 pela Polícia Federal e Organização Internacional do Trabalho revelam 1,8 mil rotas de exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil.
Apesar da sua gravidade, existe um lado positivo nessa contagem, que deve ser obrigatoriamente saudado: os números refletem o encorajamento da sociedade ao denunciar as agressões que atentam contra a dignidade humana e deixam seqüelas nos jovens cidadãos pela vida inteira. Contudo, não se pode deixar de atribuir à conta de preocupante o fato de se registrarem tantos episódios dessa natureza. Sobretudo porque os indicadores apresentados constituem apenas uma nesga do cenário mais amplo e danoso. As autoridades do setor ressaltam que, nos ambientes de pobreza extrema, as agressões são muito mais comuns e não têm condições de ser contabilizadas oficialmente pela falta de conscientização da vítima ou pelo medo de represália por parte dos agressores violentos.
A repressão aos ofensores é a primeira providência a ser adotada pelo Estado, indiscutivelmente necessária. Mas não deve ser o caminho único para tratar o mal. Ao mesmo tempo, é preciso dotar os orçamentos de recursos para viabilizar a inclusão social de famílias, assim como para investir na educação, porque são soluções que podem ser tomadas imediatamente para ter efeito benéfico a médio prazo.
Uma das principais metas do Programa de Combate ao Abuso e à Exploração Sexuais de Crianças e Adolescentes é a mobilização com o objetivo de integrar ações governamentais e de entidades civis para que, de forma parceira, sejam desenvolvidas e aplicadas medidas para conter a violação dos direitos das crianças e adolescentes.
É de se ressaltar também o interesse nas casas legislativas de se atacar o problema com rigor. Tramitam na Assembléia Legislativa do Ceará, por exemplo, projetos na área que merecem atenção especial da sociedade. Um determina que meios de hospedagem registrem a entrada de crianças e adolescentes. O cadastro seria instrumento valoroso na prevenção, sobretudo, do turismo sexual. Outro estabelece que o Estado dote os Municípios com mais de 60 mil habitantes de delegacias de polícia para o combate à exploração de crianças e adolescentes. Ambos são projetos de indicação, que, se aprovados, só serão executados pelo Executivo de acordo com possibilidades financeiras e técnicas. Revelam, porém, um gesto político efetivo contra a moléstia social.
Há uma articulação de enfrentamento à exploração sexual de menores. Cabe à sociedade potencializar seus recursos e vencer a guerra.
Fonte: Diário do Nordeste
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Exploração Sexual: Denúncias na Capital cearense aumentam 480%
Feb 19 2008
Exploração Sexual: Denúncias na Capital cearense aumentam 480%

O disque 100 é um número nacional de combate ao abuso e à exploração sexual contra crianças e adolescentes
Fortaleza teve aumento de 480% nas denúncias ao disque 100, em 2007 em relação ao ano anterior, de acordo com dados da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, da Presidência da República. Entre os estados brasileiros, o Ceará está em 6º lugar em número de denúncias, com 1.056 em 2007 e 424 em 2006, representando um crescimento de 149%.
“Isso mostra que as campanhas têm êxito e conseguem fazer com que a população se sensibilize e denuncie”. A afirmação é do coordenador de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Joacy Pinheiro, da Fundação da Criança e da Família Cidadã (Funci), que engloba as políticas municipais de combate ao problema.
Em Fortaleza, somente em janeiro último, o Espaço Aquarela-Serviço Sentinela, da Funci, recebeu 22 denúncias de violações, com a realização de 114 atendimentos (incluindo casos que já vinham sendo acompanhados) e um total de 27 encaminhamentos.
Nestas 22 novas denúncias, não estão incluídas as oriundas da Campanha Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes no Carnaval, que foram recebidas pelo número 100, telefone do disque-denúncia nacional, nem os referentes ao serviço estadual de atendimento.
Além do êxito das campanhas, citado por Pinheiro, outro fator que contribuiu para o aumento das denúncias foi o crescimento significativo da rede de assistência às vítimas de abuso e exploração sexual, que incluem delegacia e Varas de Justiça especializadas, além da política municipal definida que proporciona proteção às vítimas, com abrigos, atendimento psicossocial e prevenção nas comunidades atingidas.
Em 2007, a Funci recebeu 260 denúncias, sendo 188 casos de abuso sexual, 71 de exploração sexual e uma denúncia de tráfico com fins sexuais. Um dos destaques das ações de enfrentamento realizada pelo Município de Fortaleza, conforme ele, é o primeiro abrigo especializado em acolher temporariamente vítimas de tráfico e exploração sexual. O abrigo fica em local sigiloso.
Além da prevenção realizada em bairros como Serrinha, Jangurussu e Bom Jardim, são desenvolvidas ações para reinserção de jovens vítimas de exploração. Um deles é o primeiro curso de estilismo voltado para adolescentes vítimas de violência, que funciona em parceria com o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-CE).
Integração
Para haver garantia da proteção às vítimas e efetiva responsabilização dos agressores, Joacy Pinheiro destaca que é preciso haver integração das diversas ações realizadas. “São três disque-denúncias diferentes dos governos Federal, Estadual e Municipal. A falta de integração dificulta também a obtenção de estatísticas e o encaminhamento das demandas. Com mais dados, é possível ter uma ação mais focalizada. Hoje, não existem estatísticas que englobem todo o Estado e isso dificulta o trabalho”, disse.
Segundo Pinheiro, a responsabilização dos agressores é consenso no que diz respeito às ações de enfrentamento à violência sexual. “Infelizmente, o combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes ainda é muito difícil porque envolve ações multifacetadas de prevenção, assistência e responsabilização, de diferentes áreas e uma política ampla”.
ORÇAMENTO ESTADUALEnfrentamento não é contemplado
“O combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes não está sendo tratado como prioridade pelo Estado, este ano”. A denúncia é da coordenadora do Fórum Cearense de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, Márcia Cristine de Oliveira.
Conforme ela, o orçamento de 2008 não previa nenhum recurso para o enfrentamento ao problema e, graças a uma articulação do próprio Fórum, em conjunto com o Fórum Permanente das ONGs de Defesa da Criança e do Adolescente do Estado do Ceará (Fórum DCA) foi possível fazer uma emenda que contemplasse algum recurso estadual. “Mesmo assim, o recurso ainda é muito pequeno para o tamanho da problemática”, alerta Márcia Cristine.
Ela considera que a situação é crítica, principalmente no Interior do Estado, nas áreas litorâneas, onde ainda é forte a questão da exploração sexual decorrente do Turismo. “Além da falta de prevenção, que contemple as possíveis vítimas, suas famílias e a sociedade em geral, não existem estruturas de assistência para as vítimas nem para agilização dos casos jurídicos, como delegacias especializadas”, assegura.
Isso proporciona, conforme a coordenadora, um fenômeno bastante negativo chamado revitimização, que acontece quando a vítima de violência tem que repetir tudo o que sofreu em cada órgão ou instância que chega em busca de assistência ou responsabilização do seu agressor. “Isso é agravado também pela falta de integração das políticas realizadas em diversas esferas de poder. A integração evitaria a repetição de casos, identificaria casos recorrentes, facilitando os encaminhamentos”, diz.
Apesar de considerar que o Ceará está na frente em relação a outros estados no enfrentamento ao problema, a coordenadora do Fórum Cearense de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e apresentar melhora significativa, destaca que a Capital ainda tem deficiência pela grande demanda de casos. “A população deve continuar denunciando e buscando monitorar e acompanhar as ações de proteção às vítimas e de responsabilização de seus agressores na Justiça”, sugeriu.
SAIBA MAISDenúncias de Abuso e Exploração Sexual
0800.2802808. A ligação é gratuita
Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dceca)
(85) 3101.2044
Disque-Denúncia Nacional
100
Paola Vasconcelos
Repórter
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=512943
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Encontro contra exploração sexual de crianças deve reunir 3 mil pessoas no Rio
Caminhoneiros são alvo de ações contra a exploração sexual infanto-juvenil
Jan 29 2008
Histórias de exploração sexual nas rodovias do Ceará
Em 2007 uma série de reportagens sobre exploração sexual de crianças e adolescentes no Ceará foi finalista regional do Prêmio Esso de Jornalismo – a mais importante premiação da categoria profissional no Brasil – e do Prêmio Imprensa Embratel. O caderno especial publicado em dezembro de 2006 pelo jornal O Povo, de Fortaleza, originou-se de um projeto inscrito na 3ª Edição do Concurso Tim Lopes de Investigação Jornalística, realizado pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) e pela Childhood Brasil. Leia nesta edição uma síntese dos relatos sobre os municípios cearenses de Sobral e Penaforte. Nas próximas edições, novos trechos do Documento BR.
SOBRAL
Cidades improvisadas do prazer
Demitri Túlio / O Povo
Um posto de combustível, BR-222, entrada de Sobral, 21 de setembro, noite de uma quinta-feira… A placa, em verde e amarelo, avisa que o funcionamento é 24 horas. O tempo não pára e o turno da noite transforma o posto de gasolina em uma improvisada “zona franca do prazer”. Desejos efêmeros. Dez, quinze minutos, ao preço de R$ 15,00, e negócio resolvido. … Os mais de 50 caminhões cargueiros estacionados, um ao lado do outro, criam espaços imaginários de uma cidade espremida. Esquadrinham ruas. … Posto de gasolina, afinal, assume ar cosmopolita, local de passagem, travessia de forasteiros.

Garota em Posto, na entrada de Sobral
À noite pernoitam por lá porque têm medo da estrada que escurece perigosa na BR- 222 até Fortaleza ou rumo a outros destinos. Assaltos, quadrilhas, cochilos, acidentes e predação. Mas no posto, os viajantes acabam predadores. Caças também. Nas ruas estreitas, formadas simbolicamente entre as carrocerias dos trucados, há cotidianos. É a continuação de uma zona improvisada que começa na avenida principal do posto de combustível. Rua de calçamento, encardida de óleo e borracha, por onde passam (pra lá e pra cá) e se oferecem meninas e bichas. “Vamu namorá, bichim?”, aborda Clara - sobralense que aparenta ter cara de 17, mas diz ter 21 anos e revela ter se iniciado na vida à beira da BR aos 15 anos. …
As boléias servem de chatôs. À noite ganham jeitos e odores de cabaré. O banco se transforma em cama e a película nos vidros das janelas impede que a privacidade vaze. Nem tanto, todo mundo escuta, todo mundo sabe, todo dá conta de tudo. São dez ou quinze minutos… Mas não são apenas caminhoneiros que aceitam o oferecimento das caças. Clara, nome fictício da menina que foi iniciada nas histórias aos 15 anos de idade, solta que um policial rodoviário federal foi o primeiro programa. No próprio posto de fiscalização, a poucos metros do posto de gasolina. Vizinhos. …
Procurado por O POVO, o chefe do posto da Polícia Rodoviária Federal em Sobral, Francisco Lira Pessoa, o “Chico Lira”, disse que “efetivamente registrado”, não sabe de nenhuma denúncia envolvendo patrulheiros em casos de abuso e exploração sexual de adolescentes na BR-222. “No posto da Polícia Rodoviária acho muito difícil”. Ainda Chico Lira: “Na realidade, falo por mim. Eu tenho policiais jovens, solteiros. Não posso responder por um plantão de cinco homens. Nunca foi registrado. Por isso digo que boato é boato. Uma coisa lhe digo: se chegar uma denúncia contra um colega meu aqui, ela vai tomar o trâmite legal imediatamente”.
Na giratória que dá acesso a Sobral, uma imagem de São José “olha” na direção de um dos postos de combustível onde a Polícia Rodoviária Federal mapeou como ponto de exploração sexual/comercial de criança e adolescente. O santo, que traz nos braços uma imagem do Menino Jesus, é protetor das famílias. A maior parte das meninas entrevistadas revela problemas de relacionamento com o pai, padrasto ou avô.
PENAFORTE
O pátio das “quibas”
Cláudio Ribeiro e Demitri Túlio / O Povo
Na esquina da avenida Antonia Matias com a BR- 116, a placa convida o forasteiro a entrar e se sentir “bem-vindo” à quente Penaforte. Mas a maioria dos que chegam estão apressados e não passam da sala de visitas onde funciona o posto de fiscalização da Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz). É o último ponto de apoio no Ceará antes do vizinho Pernambuco. Lá, diferente do restante do município (de pouco mais de 7.500 habitantes), tudo funciona dia e noite.
Ali, o tempo é acelerado pelo entra-e-sai de centenas de caminhões de carga que chegam e vão pra todas as partes do Brasil. Segundo quem é da cidade, são mais de 1.500 pessoas com trabalho direto ou indireto no local. Inclusive as meninas e meretrizes a cortejar viajantes. Todas, pelas contas informais, seriam mais de cem. É no pátio-estacionamento e nos arredores do posto da Sefaz que as cenas vão se desenhando.
Como cicerones, crianças biscateiras e descoladas. “Profissionais” autônomos, de oito, dez, 12 anos, pouco mais ou pouco menos, dispostos a lavar pneus, boléias e gaiolas. Também a intermediar rendezvous passageiro com essa ou aquela zinha… Em bandos, adultas ou meninas, fazem enxame no furdunço. Iluminação amarelada, caminhões estacionados, motoristas, policiais e metralhadoras, cinturão de puteiros, bares inferninhos, barracas de vender coco verde gelado, churrasquinho, chá, café, bolo mole, e um pipoqueiro. Forró nas alturas…
Penaforte, com uma população de 7.316 pessoas, fica a 546,8 km de Fortaleza. Fincada em um dos pontos mais pobres da região do Cariri, se avizinha às cidades Salgueiro (rota da maconha) e Verdejante em Pernambuco e é ponto de entrada e saída de caminhões de carga. É na boléia que meninas de outros estados chegam a uma das zonas mais concorridas do roteiro de exploração sexual e comercial de criança e adolescente do Ceará.
Segundo o Conselho Tutelar, 80% dos casos de exploração sexual de crianças e adolescentes no município são oriundos do Posto de Fiscalização da Secretaria da Fazenda do Ceará (Sefaz), localizado na entrada da cidade. Também há muitos registros de trabalho infantil e abandono de crianças. O município não possui diagnóstico sistematizado sobre a situação da criança e o adolescente em situação de risco na zona urbana e rural.
Alex (nome fictício), 12 anos de idade, boa parte deles se virando - dia e noite - no posto da Sefaz admira-se: “Quibas? São as matutas que descem dos sítios pra cá. Matutinhas, doidinhas. Quer conversar com quem?” … Alex experimenta aquele cotidiano há tempos. Ele mesmo já havia revelado: mora com a avó que já foi dona de um bar-prostíbulo … O meio de vida da avó fechou. A tia de Alex abriu outro negócio e, em julho desse ano, o Ministério Público flagrou por lá duas adolescentes de Jati. Uma de 16 e outra de 17 anos de idade. As duas foram aliciadas por uma mulher. “No depoimento, uma disse que a amiga teve relações sexuais com o caminhoneiro na cama da dona do bar. Foi preso o proprietário e a agenciadora”, conta Rodrigo Fernandes, 22, conselheiro tutelar.
… Poucos caminhoneiros quiseram falar com O POVO durante as viagens da equipe. Em Penaforte, um deles disse que a exploração sexual infanto-juvenil é idêntica ou pior nos demais estados. Citou Maranhão, Pará, Pernambuco, Paraíba, onde meninas de 12 anos ou menos se exibem por alguns trocados. “Do Ceará, Penaforte é o pior local”. Casado, pai de duas filhas e um filho, 25 anos de estrada, pediu para não ser identificado.
Idade Alterada
Logo que ela passou, os traços infantis do rosto chamaram atenção. Embora o corpo já não fosse de menina. Depois da abordagem para a entrevista, ela garantia: “Fiz 18 este ano”. Conversa vai, conversa vem, no dia seguinte a confirmação: Paula não tinha 18. Completou só 16 em junho passado. Confirmação dada pelo Conselho Tutelar da cidade.
Os programas sexuais, ela faz desde os 12, em frente ao pátio de caminhões do posto fiscal de Penaforte. Paula já passou por quatro notificações do Conselho Tutelar. A poucos metros do local da conversa, dois dias antes haviam matado um com sete tiros. Medo, Paula (nome fictício) disse que sempre teve. Cobra R$ 10,00 para transar, por ali mesmo ou em algum quartinho que lhe deixem entrar com o caminhoneiro. Sempre deixam.
O POVO - Você é de onde?
Paula - De São Paulo.
OP - Chegou aqui quando?
Paula -Tô aqui faz uns seis anos. Desde que eu tinha uns 12 anos.
OP - Quanto você cobra por um programa?
Paula - Dez reais.
OP - Você sobe nos caminhões ou vai para os quartos?
Paula -Tanto faz.
OP - Quantos programas por noite?
Paula - Quatro, três.
OP - Passa alguém fiscalizando a presença de vocês por aqui?
Paula - Quando eu era de menor, andava escondida por aqui. Teve vez que eles já me viram, me levaram e me aconselharam. Aí pronto. Eu tinha 17 anos. Eles sabem lá, já tem meus dados. Por isso que agora eu ando por aqui normal.
Fonte: http://www.namaocerta.org.br/bol_1604.php
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Reportagem sobre exploração sexual é indicada para Prêmio Esso
Jan 24 2008
Lan houses mantêm jogos proibidos
Violência na tela: Procon de Goiás considera os jogos virtuais ´nocivos à saúde dos consumidores´ (Foto: Miguel Portela)
Apesar de proibidos em todo o Brasil devido a uma decisão judicial da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, os jogos virtuais “Counter Strike” e “Everquest” ainda podem ser facilmente encontrados em lan houses de Fortaleza. Das três casas visitadas pelo Diário do Nordeste, todas apresentaram pelo menos um dos jogos.
Numa lan house do bairro São João do Tauape, o funcionário Ítalo Domingues não nega a instalação do “Counter Strike” nos computadores, mas logo justifica: “Estou só esperando a proprietária chegar para ver o que pode ser feito”.
Enquanto Ítalo argumenta, o estudante Alisson Jaime Ferreira Magalhães, de 15 anos, vai explicando à reportagem o que o fascina no jogo. “O negócio é desarmar as bombas antes que os terroristas as detone”, conta, sem tirar os olhos da tela.
De acordo com o site da Superintendência de Proteção aos Direitos do Consumidor de Goiás (Procon-GO), a decisão judicial considera que o “Counter Strike” e o “Everquest” não servem para o consumo porque “são nocivos à saúde dos consumidores, em ofensa ao disposto nos artigos 6, I, 8, 10 e 39, IV, do Código de Proteção e Defesa do Consumidor”.
Ainda segundo a Procon-GO, o jogo “Counter Strike” reproduz a guerra entre bandidos e policiais. “O jogo ensina técnicas de guerra, haja vista que o jogador deve ter conhecimento sobre táticas de esconderijo, como se estivesse numa guerrilha”. Sobre o “Everquest”, assevera o órgão: “Leva ao total desvirtuamento e a conflitos psicológicos ‘pesados’”.
Em outra lan house, agora no bairro Montese, o proprietário Felipe Araújo Machado afirma disponibilizar os dois jogos aos usuários. “Aqui, o mais procurado é o ‘Everquest’, principalmente pelos jovens na faixa etária entre os 18 e os 20 anos. Já o ‘Counter Strike’ é mais pedido pelos adolescentes entre 12 e 14 anos”, comenta.
A terceira lan house visitada também apresentava o “Counter Strike” na sua lista de oferta de jogos, procurado, segundo o funcionário Anderson Maia, por cerca de 20% dos usuários. “Por estar em rede (na internet), permite que você jogue com pessoas de várias partes. Com os muitos adversários, o jogo fica mais emocionante”.
Mas, garante o funcionário, a recomendação para menores de dez anos nunca deixa de ser feita. “A gente aconselha a não jogar. A não ser que o pai venha e autorize”. Anderson acrescenta que deveria haver a obrigatoriedade do cumprimento de uma classificação etária indicativa para cada jogo. “Agora, tirar é exagero”.
ENQUETE
Jovens têm preferência por outros games Konrado Souza Mota
Auxiliar de Engenharia
Joguei por três anos o ´Counter Strike´. Mas mudei de mania. Agora, jogo horas o ´Ragnarök Online´.
Evildison Soares Fernandes
Serígrafo
Joguei ´Counter Strike´ por um certo tempo. Mas agora prefiro RPG, os desenhos desse tipo de jogo são perfeitos.
Ludmila Wanbergna
Repórter
Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=506390
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