Apr 03 2008
Archive for the 'Dicas' Category
Mar 30 2008
O dia em que conheci o bicho-papão

O dia em que conheci o bicho-papão (Editora Kelps, 116 páginas) é uma narrativa autobiográfica em que o autor Ricardo Dabo conta, sem poupar nenhum detalhe, como foi sexualmente molestado aos dez anos por um vizinho.
A obra, que é complementada por um pequeno apêndice com algumas orientações aos pais, serve como alerta à sociedade para a ameaça representada por um crime cada vez mais disseminado. O abuso sexual fez ainda outras duas vítimas na família do autor, sua própria mãe e um de seus irmãos.
Blog do autor: ricardodabo.blog.terra.com.br
Mar 30 2008
Roteiro triste, mas real
Há exatos dois anos a cineasta israelense Nili Tal desembarcou no Brasil com uma parafernália de equipamentos, a idéia fixa de fazer um documentário sobre a vida da jovem Bruna Aparecida Vasconcelos, aquela mesmo que há 21 anos foi seqüestrada em sua casa, no Cotolengo, por uma falsa babá e entregue à quadrilha internacional que vendia bebês para casais de Israel.
Embora fosse um documentário e, presume-se, iria contar a verdadeira história, Nili já tinha toda a trama e o roteiro na cabeça. Ela queria mesmo era provar, por “A + B”, que Bruna estaria muito melhor em Israel, com os pais “adotivos” - que a compraram por US$ 5 mil, segundo informações da polícia na época dos fatos - do que no Brasil, vivendo na pobreza. Tal foi a sua frustração, quando começou a ouvir as pessoas que trabalharam no caso e todas confirmaram que Bruna foi vítima de um seqüestro e que a mãe dela, Rosilda Gonçalves, não tinha entregue a menina em adoção, como diziam em Israel. Furiosa, ela chegou a dizer que voltaria para seu País com as mãos abanando, porque não tinha uma história.
Mas, mexe daqui, mexe dali, Nili conseguiu juntar pontas deste triste acontecimento e fez o filme. Mostrou a Bruna de hoje, vivendo na pobreza, mãe de dois garotos - o primeiro filho ela teve aos 14 anos -, morando de favor na casa do pai alcoólatra, sem emprego e sem saber o que fazer da vida. Mostrou o pai, Luiz Américo, dizendo que não queria ficar com a filha e os netos, que não gostava dela e que seu maior desejo era vê-la fora dali.

Mostrou também Rosilda, pela enézima vez contando que foi até Israel lutar para recuperar sua filha roubada - ela teve ajuda de uma emissora de televisão da Inglaterra que custeou suas despesas - e que não teria dinheiro no mundo que pagasse pela menina, mesmo que os pais adotivos oferecessem milhões de dólares para ficar com ela. Enfatizando sua cantilena de que o melhor lugar do mundo para Bruna era ao lado da mãe verdadeira.
Revelação
Mara Cornelsen
O filme, na realidade, é muito triste. A vida de Bruna poderia ser bem diferente, se, quando voltou ao Brasil, dois anos e quatro meses depois do seqüestro, ela e a mãe tivessem recebido o necessário apoio psicológico. Mas ambas, depois de um “carnaval” que reuniu políticos, empresários e até o governador do Estado, foram abandonadas. Rosilda continuou a ser perseguida pela imprensa israelense, que a toda hora queria saber de Bruna - Caroline lá em Israel. Desenvolveu verdadeiro pavor de ter a filha seqüestrada de novo e isso alterou toda a sua vida. O pai da menina, já dado ao vício da bebida, tratou de desaparecer, abandonando-as à própria sorte.
Bruna tornou-se uma criança rebelde e adolescente fujona. Por 12 vezes, confessa ela, saiu da casa da mãe, que varria as favelas nas madrugadas, procurando por ela. Quando engravidou, foi para uma casa de freiras e, mesmo sem ter idéia de como sustentaria o bebê, recusou-se a deixá-lo para adoção. Sem aprender a lição, três anos depois engravidou de novo. Outro garotinho, cujo pai nem o conhece. Sem trabalho, sem ter onde morar, foi parar na casa do Luiz Américo, na periferia de Curitiba. Ambos brigavam muito. Ela saía à noite e deixava os meninos com o avô. Ele também saía e as crianças ficavam por conta própria. Até que um dia, os dois meninos foram recolhidos pelo Conselho Tutelar. Bruna chorou, esperneou, mas não conseguiu reavê-los. O documentário mostra tudo isso, infelizmente para os brasileiros e felizmente para os israelenses, que mais de duas décadas depois vão se sentir ainda cheios de razão quando garantem que Bruna estaria muito melhor lá do que aqui. Nili conseguiu seu objetivo!
Em exibição
Nili Tal já ganhou prêmios com o filme, que agora será exibido no Brasil, no 13.º Festival Internacional de Documentário É Tudo Verdade. São 138 produções não-ficcionais vindas de várias partes do mundo e também do Brasil, é claro. O É Tudo Verdade foi criado em 1996 pelo escritor e crítico Amir Labaki, que o dirige até hoje, com sucesso maior a cada ano. A mostra deste ano começou no dia 26 passado e vai até 6 de abril, com exibições em salas de São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru, Caxias, Recife e Brasília. Infelizmente não vem para Curitiba.
Paralelamente, ocorrerá do dia 1.º a 4 de abril, a 8.ª Conferência Internacional do Documentário, em São Paulo.
O filme da vida de Bruna tem 52 minutos - leva o nome da jovem - e será exibido hoje, às 14h, no Rio de Janeiro, no Instituto Moreira Sales, e no dia 3 de abril, às 20h, no mesmo local; dia 1.º de abril, em São Paulo, às 20h, no Reserva Cultural.
Labaki, o diretor do festival, comoveu-se com a história de Bruna e gostaria muito que ela visse o filme, para saber se aprovava ou não o que foi mostrado. A jovem não foi localizada, mas o convite ainda está de pé. Se alguém souber onde Bruna está, pode entrar em contato com a Tribuna, para que ela tenha a oportunidade de ver o documentário sobre sua própria vida.
Fonte: Tribuna Pop
pop@tribunadoparana.com.br
Mar 13 2008
Documentário ‘Juízo’ traz debate sobre tragédia sem solução
Cena de ‘Juízo’
Maria Augusta Ramos fez dois documentários seguidos - Justiça e Juízo -, mas se você pedir a ela que se defina ela não dirá que é documentarista. Maria Augusta é cineasta. Seus documentários não possuem entrevistas. O que lhe interessa é a observação, aliada ao que ela chama de ‘teatro da Justiça’. Tendo feito música antes de se interessar pelo cinema, ela acha que vem daí uma das características fortes do seu trabalho - o gosto pela elaboração formal. Tudo isso, teatro, observação, se faz presente em Juízo, o documentário que Maria Augusta Ramos dedicou aos menores infratores e que estréia na sexta, 14, na cidade. Juízo chama a atenção para a situação real dos menores infratores e convida à reflexão. Para Maria Augusta, o que ela faz é humanizar a Justiça. A diretora talvez não conseguisse atingir seu objetivo se não tivesse a juíza Luciana Fiala julgando as audiências que ela filma.
O filme fala de menores, da sua condição socioeconômica. Deixa claro que a sociedade que exige juiz de seus menores infratores não possui, ela própria, juízo para encarar o problema. Porque, como diz a juíza, “a chance de recuperação desses jovens é remota. Exigiria uma ação conjunta dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de suporte médico e psicológico”. Isso exige vontade política, sem a qual as medidas aplicadas caem no vazio. A juíza sabe disso, mas cumpre seu papel. Naquelas audiências, ela representa a própria sociedade.
Luciana Fiala parece perfeita para sustentar uma fala de Eduardo Coutinho, que disse, sobre Jogo de Cena, que somos todos atores, nem que seja de nós mesmos. Até onde se lembra, Luciana sempre foi autoritária. No começo, queria ser médica, para cuidar do pai, um advogado que nunca exerceu a profissão, preferindo ser industrial. Este homem exigia muito da filha. Luciana aprontou bastante, mas, como ela diz, sempre apresentou bons resultados. O desejo de ser médica foi substituído pelo de ser magistrada. Hoje, ela é juíza de Direito do Tribunal de Justiça do Rio, atuando na comarca de Paracambi. Quando Maria Augusta fez seu filme, Luciana era juíza auxiliar da 2ª Vara da Criança e do Adolescente, do Rio.
De onde vem essa capacidade de julgar e aplicar broncas nessas crianças? Nem a juíza Luciana sabe. Mas nunca duvidou de sua capacidade de julgar. Se você lhe pergunta o que mais gosta de fazer, ela responde: “Colocar bandidos na cadeia.” Foi isso o que ela sempre quis e para isso se preparou. Luciana freqüentou lugares que ninguém imagina. Submundo mesmo. E não chegava como ‘estrangeira’, o que produziria rejeição. Ela sempre quis se integrar para observar. Não acha que, por serem menores, deve ser branda em seus julgamentos. Mas Luciana também acha que essas crianças e adolescentes temperaram sua dureza. Por mais reduzida que seja a chance de recuperação, ela existe. Menores infratores, mesmo que eventualmente sejam perigosos, não são criminosos adultos. Neles, a juíza Luciana ainda pode aplicar suas broncas.
Sua crença é a de que o contexto socioeconômico em que vivem as crianças e os adolescentes influi na ida deles para a criminalidade. Mas a juíza Luciana tem a sua máxima: “Não é porque é pobre que tem de ser bandido.” Outra crença profunda é no papel dos pais. A educação recebida dos pais é importante. Ambiente familiar, estímulo à cobrança e à fiscalização nos estudos e no cumprimento de regras é o que falta aos menores infratores. Ela se empenha para ficar com os filhos - uma garota de 14, um menino de 8 e outro do qual estava grávida durante a realização (e que nasceu de seis meses!). Empenha-se, mas admite que não consegue ficar tanto quanto gostaria. “Minha filha diz que sou chata, mas um dia ela vai compreender.” Já está compreendendo. Na escola, a garota teve de fazer uma redação sobre alguém de sucesso. Escolheu a mãe. “É gratificante saber que estou dando bom exemplo aos meus filhos.” Mas a mãe reflete sobre outra coisa. Preocupada em dar broncas nos filhos dos outros - no tribunal -, não deu aos próprios filhos todas as broncas que acha que eles talvez merecessem.
Nada do que ela diz no filme foi planejado. “Sou assim mesmo, e nem teria tempo, pois as audiências são muitas e não me permitem analisar os casos com antecedência.” O excesso de exposição pode gerar mal-entendidos, mas ela acha que não está interferindo em seu trabalho. De qualquer maneira, num debate realizado na OAB, Ordem dos Advogados do Brasil, seção São Paulo, na segunda-feira, um colega magistrado observou que a juíza está subvertendo uma das regras da função. O juiz julga e ela está abrindo espaço para que as pessoas a julguem.
Como diretora, Maria Augusta não quer julgar ninguém - nem os menores nem seus pais e muito menos a juíza. A admiração é recíproca entre as duas. A juíza Luciana diz que o filme trata de um tema árido com leveza. Para a diretora, a filmagem de mais este capítulo do teatro da Justiça trouxe problemas que seu documentário anterior não teve. Como é proibido, por lei, filmar os rostos de menores infratores, Maria Augusta valeu-se de um artifício. Ela filmou as audiências - dez, das quais saíram sete personagens - sempre com duas câmeras. Uma, centrada na juíza e na promotoria. A outra, na defesa e nos familiares dos menores. Maria Augusta filmou cada audiência uma única vez, mas depois substituiu o menor infrator por um ator, não um ator profissional, mas na maioria das vezes outro menor, de idade aproximada e com condições socioeconômicas parecidas, senão exatamente iguais, o que lhes permite reproduzir os textos dos garotos e garotas levados a juízo com conhecimento de causa.
Esses menores substitutos dos infratores foram escolhidos com a ajuda das comunidades de Bangu e Cidade de Deus. Graças ao artifício - o campo é documental e o contracampo, ficcional -, Juízo trafega nas bordas do documentário e da ficção. Maria Augusta não acha que o recurso mudou seu cinema, ou possa empurrá-la para a ficção. “Todo mundo vive me cobrando uma ficção”, ela confessa. A importância, para Maria Augusta, é que ela teve de observar mais, prestando atenção nos detalhes. Seu medo era de que a coisa não funcionasse. Funcionou. Maria Augusta sabe que a vida de cada um desses jovens daria outro filme. No limite, ela atinge o que queria - a humanização que está na base do seu projeto de cinema. Se não houver mais tribunais nos próximos filmes - ela acredita que não -, seu compromisso com o humano não vai mudar.
Fonte: Estadão
Assista ao trailer, AQUI.
Mar 09 2008
ESPRO oferece cursos para adolescentes
O Espro (Ensino Social Profissionalizante) é uma sociedade civil sem fins lucrativos que oferece aos adolescentes formação para o trabalho. Seu programa de aprendizagem existe desde o final do ano de 2002 e hoje possui cerca de 500 aprendizes contratados.
Anualmente, o Espro recebe em média 10 mil inscrições de todo o Brasil, profissionaliza 1,5 mil alunos e encaminha outros mil alunos para o programa de aprendizagem em empresas colaboradoras. Durante todo o processo de contratação, o adolescente recebe um acompanhamento psicológico.
Antes de encaminhar o adolescente para seleção junto à empresa, o Espro oferece cursos de capacitação básica, que incluem português, matemática, informática e telemarketing. Também são abordadas questões relativas ao comportamento adequado em ambiente empresarial, trabalho em equipe, disciplina, comunicação, inicativa, apresentação pessoal, higiene, saúde e cidadania. Após o ingresso na empresa, os adolescentes participam de uma capacitação específica que varia de acordo com a área de atuação.
Mais informações:
Site - www.espro.org.br
E-mail - info@espro.org.br
Telefone - (11) 3256-8399
Mar 08 2008
Faça seu juízo
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro está presente no filme “Juízo”, da diretora Maria Augusta Ramos, com pré-estréia marcada para o próximo dia 12 de março, às 20h, no Cinema Odeon, na Cinelândia. Após a sessão haverá debate com participantes da OAB, da Corregedoria Geral de Justiça, do DEGASE, da Magistratura, do Ministério Público – por intermédio das Promotoras de Justiça Dras. Eliane de Lima Pereira (que aparece no filme) e Maria Amélia Barreto Peixoto – e da diretora do longa-metragem.
“Juízo” acompanha, da prisão ao julgamento, meninos e meninas pobres, com menos de 18 anos de idade, que cometem atos infracionais, equiparados a roubo, tráfico de entorpecentes e homicídio. No âmbito do MPRJ, há anos esse tema vem sendo objeto de atuação das Promotorias de Justiça da Infância e Juventude.
O filme será lançado em circuito no dia 14.
Veja os trailers da produção
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Mar 07 2008
Cinema: “Desaparecidos” (Trade)
O filme “Trade” acompanha a história de uma menina mexicana de 13 anos (Paulina Gaitan) e da jovem menina polonesa (Alicja Bachleda) enquanto elas são seqüestradas por criminosos de uma rede de tráfico de pessoas e de exploração sexual no México. As jovens são transportadas para venda nos Estados Unidos. Enquanto fazem sua brutal jornada ao Norte, o irmão mais velho da jovem garota (Cesar Ramos), e um policial Texano (Kevin Kline), iniciam uma desesperada e perigosa tentativa de resgate.
Trade é inspirado na dramática reportagem publicada pela revista do New York Times intitulada “The Girls Next Door” escrita por Peter Landesman’s. O artigo expôs a indústria americana do tráfico para fins sexuais.
A distribuidora do filme decidiu doar 5% da primeira semana de exibição à agência da ONU e organizações internacionais de direitos humanos.
“Desaparecidos” (Trade) - Trailer
Feb 28 2008
Mystic River aborda todas as seqüelas do abuso sexual
Um crime visto na sequência de abertura de Mystic River - Sobre Meninos e Lobos vai afetar - ou, melhor dizendo, contaminar - cada ação e reação do resto do filme.
Escrito por Brian Helgeland, a partir de um romance de Dennis Lehane, o roteiro de Mystic River trata das repercussões de um abuso sexual infantil, tópico de importância vital e que encerra inúmeras possibilidades.
Escrito por Brian Helgeland, a partir de um romance de Dennis Lehane, o roteiro de Mystic River trata das repercussões de um abuso sexual infantil, tópico de importância vital e que encerra inúmeras possibilidades.
No entanto, o livro de Lehane é de ficção criminal, fato que acaba conduzindo o filme num rumo convencional. Eastwood e Helgeland não enfatizam o aspecto de mistério policial do material. Mesmo assim, o filme acaba focando os procedimentos policiais, desviando a atenção do espectador da rejeição contra o abuso infantil.
Os suspeitos
Três homens são marcados para sempre por um crime dessa natureza que acontece num bairro pobre de Boston.
O fato de Dave (Tim Robbins), quando ainda era um menino assustado, ter entrado no carro de dois predadores sexuais, enquanto seus amigos Jimmy (Sean Penn) e Sean (Kevin Bacon) não entraram, faz com que sua vida tome um rumo diferente das deles.
Direção: Clint Eastwood
Elenco
Sean Penn (Jimmy Marcus)
Tim Robbins (Dave Boyle)
Kevin Bacon (Sean Devine)
Laurence Fishburne (Whitey)
Adam Nelson (Nick Savage)
Emmy Rossum (Katie)
Cameron Bowen (Dave - jovem)
Jason Kelly (Jimmy - jovem)
Cayden Boyd (Michael)
Andrew Blesser (Sibling)
Ari Graynor (Eve Pigeon)
Ed O’Keefe (Padre)
Joe Stapleton (Drew Pigeon)
Zabeth Russell (Diane Cestra)
Robert Wahlberg (Kevin Savage)
Jillian Wheeler (Sara Marcum)
Laura Linney
Kevin Chapman
Marcia Gay Harden
Assista ao trailer
Feb 20 2008
Astros do Desenho Animado Contra as Drogas
Produção do McDonalds, com vários astros do desenho animado, com o objetivo de prevenir o uso de drogas entre crianças e adolescentes. Produção da primeira metade da década de 90. No Brasil este desenho animado foi veiculado pela extinta TV Manchete. Trata-se de uma cópia dublada da animação. Apesar da imagem, o desenho é muito interessante já que contém personagens inesquecíveis em sua dublagem original.


