Nov 18 2008
Santa Cruz do Sul: Só denúncias podem conter a mendicância
Histórias como as retratadas na Gazeta do Sul de ontem devem continuar se repetindo na Estação Rodoviária e ruas de Santa Cruz do Sul. A única solução para reduzir a mendicância na cidade seria denunciar os abusos ao Conselho Tutelar, Brigada Militar ou Guarda Municipal.
Reunidos na tarde de ontem, representantes desses órgãos discutiram medidas que possam ser adotadas para evitar ou prevenir casos como estes. A prefeita Helena Hermany e a secretária do Desenvolvimento Social, Lígia Hoppe, também participaram do encontro. Elas aproveitaram para mostrar ações que vêm sendo desenvolvidas pelo poder público municipal a fim de ajudar tanto adultos como crianças carentes.
Depois de quase uma hora de conversa, a única conclusão a que se chegou é de que pessoas que se sentirem ameaçadas ou intimidadas por pedintes devem entrar em contato com os órgãos competentes e denunciar. De acordo com o tenente Roberto Massulo, da Brigada Militar, não há como impedir a presença de pedintes nas ruas. “O lugar é público e temos que respeitar o direito de ir e vir”, argumenta. Por isso, somente quando alguém acionar o policiamento e formalizar a denúncia é que poderão ser tomadas medidas como remoção, por exemplo. “Assim o problema deixa de ser apenas social e também vira caso de polícia”, explica. O diretor de segurança de Santa Cruz, Cláudio Roberto da Rosa, tem a mesma explicação. Segundo ele, não há como impedir os pedintes de circularem. “Quem se sentir prejudicado deve nos comunicar e aguardar a chegada dos agentes”, afirma. A mesma recomendação vale para os casos de flanelinhas, que costumam circular pelas ruas à noite.
Quando forem menores, segundo a conselheira tutelar Lorena Morsh, pode ocorrer a remoção e encaminhamento para a casa dos pais. Ela ressalta que a faixa etária na qual esse tipo de medida é aplicável vai até os 12 anos.
ESMOLA
Durante a reunião, a prefeita reforçou a existência de uma campanha na qual a comunidade é orientada a não oferecer esmolas nas ruas. Desde o meio do ano, existem placas informativas em diversos pontos da cidade. “Quando tem alguém pedindo, deve-se comunicar aos órgãos competentes que formam uma rede de assistência”, frisou Helena. A campanha é desenvolvida em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdica).
Ela também falou sobre os Centros Ocupacionais, destinados a menores, e dos cursos profissionalizantes, por meio dos quais pessoas em situação de risco social podem ser atendidas e encaminhadas ao mercado de trabalho. Entretanto, lembrou que há casos em que a preferência é mesmo ficar nas ruas pedindo dinheiro.
COMO DENUNCIAR
Brigada Militar 190
Guarda Municipal 153
Conselho Tutelar 9287 5056
SAIBA MAIS
A Gazeta do Sul ficou entre as 15 e 16 horas de ontem na Estação Rodoviária para verificar a presença de pedintes. Durante esse período dois meninos aparentando dez anos estavam próximos aos guichês, mas não fizeram abordagens. Eles apenas recolheram latas de refrigerante em lixeiras próximas.
Fonte: Gazeta do Sul





