Jan 20 2008
Alerta: Cresce a exploração de adolescentes e crianças
Maria Lucia Tolouei
Dourados – O Programa de Enfrentamento ao Abuso à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes em Dourados registra índices alarmantes. De acordo com a pedagoga e coordenadora Andréia Penco Faria, em Dourados, dobrou o número de ocorrências. O mais grave é que a violência atinge cada vez mais crianças de menos idade, tanto meninos quanto meninas. E, em mais de 90% dos casos, o agressor é o pai biológico. Quando se trata de vítimas adolescentes, predominam ocorrências envolvendo o padrasto, tios e outros parentes.
Desde que foi implantado, em junho de 2001, a princípio como Sentinela, já atendeu 610 casos. Só entre janeiro do ano passado até agora foram 47. Em geral a vítima é do sexo feminino, com idade entre sete e 14 anos e pertence a classes menos abastadas, o que não descarta os inúmeros casos que ocorrem em meio aos mais ricos. Estes, em geral não denunciam.
O abuso cometido no lar deixa marcas que podem ser reconhecidas. A pedagoga orienta a manter vigilância e estar atento ao comportamentos das crianças e jovens, em casa ou na escola, onde o tema deve ser debatido, deixando de lado o tabu. “Geralmente, quando abusadas sexualmente, ficam tristes, agressivos, choram sem causa aparente, têm pesadelos, comem em demasia ou desenvolvem bulimia”, reações que alguém mais próximo percebe com facilidade. Andréia diz que na maioria das vezes não têm como reconhecer o abuso como agressão. “E, quando percebem que foram vítimas de violência sexual, se calam, por medo, vergonha ou culpa”, comenta.
Outros tipos de crimes atormentam a sociedade, a prostituição infanto-juvenil e o tráfico de seres humanos. A exploração sexual visando o comércio do “corpo” tem variantes, através de atos libidinosos, pornografia, fotografias, filmagens, telefonemas, imagens na internet e o turismo sexual. “Utilizam o corpo como mercadoria, um produto à venda, para obter sustento ou mesmo afeto”, comenta.
Com a promessa de uma vida melhor muitos desaparecem. São vítimas de traficantes de gente, que comercializam crianças e jovens. Eles se aventuram fora de casa, saem da cidade, do estado, do país e nem sempre conseguem voltar.
O Programa de Enfrentamento ao Abuso recebe denúncias pelo telefone 0800-647.0444. A ligação é gratuita e a identidade do colaborador será preservada.
A entidade presta atendimento às vítimas e familares através de uma equipe que conta com pedagoga, assistente social, advogada, entre outros profissionais. As ações contam com o apoio da Comissão Municipal de Enfrentamento ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes de Dourados (Comcex). Uma iniciativa do Governo Federal, com o apoio do Estado e município.
Fonte: http://www.progresso.com.br/not_view.php?not_id=33903
Matérias relacionadas:
Exploração sexual infantil pode tornar-se crime hediondo

[…] Alerta: Cresce a exploração de adolescentes e crianças […]